Euclides da Cunha: uma rota para as belíssimas araras-azuis-de-lear de Canudos

Fotos: José Dilson/euclidesdacunha.com e Ciro Albano

JULHO/2017: É tempo de frio e chuva no sertão. O mês de julho traz um céu cor de cinza-chumbo. E logo pela manhã e no pico do meio da tarde é possível avistar um azul vívido e gritante colorindo o acinzentado celeste, um azul que tem nome: Arara-azul-de-lear. Com um voo rápido, diariamente, dezenas destas aves cruzam o céu de Euclides da Cunha.

 
A Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), é um Psittaciforme da família Psittacidae, endêmica do Brasil, chega a atingir 75 cm e pesa cerca de 950 gramas. A sua alimentação é feita principalmente desses coquinhos da palmeira Licuri (Syagrus coronata), dos frutos da Braúna (Melanoxylon braúna) e ultimamente acrescentou milho verde na sua dieta. Habita na caatinga arbórea do nordeste, sua distribuição geográfica é estritamente do norte baiano, nidificando nos desfiladeiros da Reserva Ecológica do Raso da Catarina, próximo a Paulo Afonso - BA e também na Reserva Biológica de Canudos - BA (conhecida historicamente pela guerra, Antônio Conselheiro e a cidade fantasma coberta pelo Açude Cocorobó). É uma das aves mais raras do mundo, criticamente ameaçada de extinção, com população em média de 1.200 indivíduos. 
 
Por falta de senso crítico, essas araras estão sendo vistas como praga nas plantações de milho, em decorrência disso há um número contundente de mortes por abate, que é ilegal pela legislação do meio ambiente. A morte dessas aves advém por fatores antropocêntricos. É válido ressaltar que pássaros são extremamente sensíveis e grandes indicadores de equilíbrio ambiental; bichos altamente benéficos por diversas razões, que vai desde o auxílio na reprodução das plantas até o seu lado etnobiológico que traz renda as pessoas da comunidade local através de atividades artesanais e também trabalhando na preservação da espécie.
Após um grande hiato de anos, ultimamente, nos períodos chuvosos – especialmente no inverno, é possível avistar essas araras que migram até aqui para alimentar-se nos distritos euclidenses, e o seu significado vai além de alegrar os nossos olhos, é sinal de fartura, é a concretização da esperança de todo sertanejo.
 
Essas belíssimas aves cruzam o céu de Euclides da Cunha em dois momentos do dia: às 7h30 e às 17h, geralmente em bandos, fazendo um ‘barulho’ facilmente perceptível e inconfundível aos ouvidos mais atentos. Elas são do ‘santuário’ localizado na região do Raso da Catarina, no Município de Canudos/BA, distante cerca de 70 km de Euclides da Cunha. Na sua rota diária, a cidade de Euclides da Cunha. As ararinhas azuis-de-Lear, também costumam frequentar a região do povoado de Serra Branca/Euclides da Cunha, onde o Licuri também é encontrado com fartura.
 
Preserve-as!

Publicado em: http://www.euclidesdacunha.comnews/print/id/2063