Família Reis Pires mantém tradição da Folia de Reis

José Dilson Pinheiro - euclidesdacunha.com
Nascida no então povoado, agora, distrito de Patamuté, município de Curaçá, na região Norte da Bahia, Calipsa Souza Reis Pires, 92 anos de idade, com 46 destes vividos em Euclides da Cunha, para onde se mudou juntamente com o esposo José Pires (in memoriam) juntamente com os filhos, dona Maninha Reis, como é conhecida popularmente, mais uma vez reuniu familiares e amigos para celebrar com orações, hinos, cantos e rituais católicos, o Dia de Santo Reis, mantendo uma tradição de quase cinco décadas, em Euclides da Cunha.
 
Ainda jovem, dona Maninha Reis costumava formar grupos de jovens para cultos e celebrações religiosas, inclusive com visita à Gruta do Patamuté, local de romaria e visitação de peregrinos pagadores de promessa vindos de várias partes do sertão baiano, até mesmo de outros estados, para louvar o Sagrado Coração de Jesus.
A devoção desta sertaneja não mudou, nem mesmo quando foi morar no povoado de Formosa, Município de Macururé, e, lá, liderou o movimento de construção de uma Igrejinha, a primeira do lugar, além de levar o então padre Pedro Monteiro Campos, -vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Cumbe (Euclides da Cunha), onde mais tarde viria morar com toda a família e aqui permanecer até os dias atuais -, para celebrar a primeira missa do povoado.
Cantos e hinos de saudação e louvor aos santos Baltazar, Belchior e Gaspar, que guiados pela Estrela do Oriente foram os primeiros reis a visitar o Menino Deus, presenteando-o com mirra, prata e incenso, dona Maninha Reis e amigas, como sempre acontece ao longo desses 46 anos, usam trajes monásticos e em rituais em torno da mesa onde está montada uma lapinha, saúdam os personagens religiosos do dia. O peso dos 92 anos de idade que carrega sobre os ombros parecia não lhe causar cansaço, pois a dona da festa era só alegria e satisfação. 
A família ainda guarda como lembrança, a reportagem feita no ano de 2006, por este repórter, para o Site euclidesdacunha.com, sobre aquela Festa de Santo Reis. Este ano, a celebração foi mais intimista e reuniu apenas, familiares e alguns amigos mais próximos; porém, para 2019, a família garante que será uma festa de Reis como manda a tradição sertaneja nordestina: “orações, cantorias, hinos de louvores, pedidos pessoais a cada um  dos três reis magos feitos com semente de romã, sanfona, zabumba e triângulo”, com todos dançando e cantando... “Ô de casa, ô de fora/ Maria vai ver quem é/ São os cantadores de Reis/ São José foi quem mandou/ Neste dia de alegria/ Mas, depois de tanto tempo/ São José também chorou/ Quando viu seu filho morto/Pregado numa cruz com tanta dor...”

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