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No último sábado, 26, em
um dia de sol ensolarado, a tradicional feira livre de Euclides da Cunha
passou a ser realizada no Centro de Abastecimento, que fica situado às
margens da BR 116. A Prefeitura Municipal depois de um século realizou a
mudança que muitos almejavam. Com a alteração, objetiva-se a reorganização
da feira, a setorização do comércio e a reordenação da cidade e do
trânsito.
Podia-se notar a alegria de muitos rotos enquanto transitavam entre os
pavilhões limpos e ventilados, como descreveu a comerciante Maria Dilma
dos Santos Andrade. “Estou surpresa. Está maravilhoso. Um lugar ventilado,
com muita assepsia, e sem o desconforto do sol e da chuva. Pois quando
chovia, fazer a feira, era uma tarefa terrível”, disse emocionada.
Já a professora Mônica
Silva Andrade, falou da importância da mudança e sugeriu algumas melhorias
na estrutura da feira. “Achei muito boa a mudança. Mas queria recomendar a
prefeita Fátima Nunes a padronização das barracas e a pavimentação da área
que fica em torno dos dois pavilhões, para que assim diminua a poeira
causada quando carros, motos e pessoas transitam. Mas posso destacar que a
nova feira é uma conquista da sociedade euclidense”, salientou.
O proprietário da Eletrocruz, Ivan Cruz, afirmou que essa foi uma das
obras mais significativas da nova gestão. “Excelente isso aqui. Até que em
fim acabou aquela bagunça no centro comercial da cidade. Vai ser bom para
o meu comércio, para o comércio de todos e para os clientes, já que o
trânsito fluirá melhor. Aqui temos um espaço arejado e com muita higiene.
Euclides da Cunha estava merecendo um espaço desses. Só acho necessária a
realização do calçamento nas proximidades do Centro de Abastecimento, mas
sei que isso com o tempo virá. Esta é uma obra que trará desenvolvimento
para o município”, ressalta.
A professora Maria
Cicleide dos Santos disse que estava com receio, mas ao chegar à pista,
logo a desconfiança passou. “Fiquei feliz ao ver a polícia local norteando
o trânsito e as pessoas que por aqui transitam. Com esse cuidado, o risco
de acidente diminuirá consideravelmente. Está maravilhoso. Muito melhor do
que era antes”, finaliza.
Mesmo com a mudança do lugar da feira, do centro da cidade para o Centro
de Abastecimento, a mesma ainda configura-se numa atração à parte. Como o
comércio da cidade é um dos melhores da região, a feira estava muito
movimentada e dela participavam pessoas de várias localidades vizinhas.
Encontrava-se de tudo, desde utensílios domésticos, artesanato, carnes -
principalmente a de bode - comida feita na hora, buchada, ensopados
diversos, tapioca, bolos, doces, mingaus de: tapioca e milho e outras
iguarias típicas do sertão.
O artesanato tem destaque
em Euclides da Cunha. Na feira é possível ter uma idéia da variedade das
peças. São comercializados sapatos de couro, com solado de pneu, bem
resistentes, que já fazem parte do cotidiano do sertanejo, cordas de sisal
e aió - uma espécie de sacola feita de fibra de caroá processado
artesanalmente, muito utilizado para o transporte de pequenos objetos e
como porta-ração para alimentar os animais.
São encontradas ainda cestas de palha de ouricuri e de cipó, além de
chapéus de couro de boi, bode, carneiro, etc. O chapéu de couro usado pelo
vaqueiro não pode faltar, é a marca registrada do sertanejo. Chapéu,
jaleco e perneiras formam um conjunto de couro, bastante utilizado pelos
vaqueiros nordestinos e essencial para a sua proteção contra espinhos na
lida diária com o gado e outros animais.
A história da feira livre de Euclides da Cunha
Os caminhos surgiram em
Euclides da Cunha na segunda metade do século XVIII, com eles foram
abertas algumas estradas que passavam pelas fazendas: Jibóia, Contendas e
Garrote, além das trilhas abertas entre Monte Santo e Massacará e, Monte
Santo e Tucano, para que os produtos agropecuários pudessem circular na
região.
Na fazenda Curirici, onde existiam várias cajaranas, ocorreu a primeira
feira livre. Com o passar do tempo, Francisco da Silva Dantas mandou
cortar algumas cajaranas e construiu um grande barracão para as feiras
livres. Nesta época já existia em Cumbe, na Fazenda Carrancudo, uma
feirinha onde eram vendidos produtos da terra: fumo, cacau, café, milho,
legumes, feijão, farinha, batata-doce, banana, caça, carnes, cerâmica,
ferragens e outras.
A população aumentou e a
construção de casas desordenadas, levou a mudança do local da feira. A
intenção era alinhar as casas, construir uma capela, para dar início a um
vilarejo. Em 1877, tentaram transferir a feira para a o Alto do Lúcio,
onde já havia uma capelinha rústica que tinha à sua volta algumas pessoas
sepultadas. Meses depois, em a feira mudou-se para junto de uma cajarana
frondosa, que ficava na roça do Longuinho.
Em 1888, a nova feira era freqüentada por tropeiros dos sertões, em busca
das especiarias cumbenses. No início dos anos 30, entre os prefeitos
Joaquim Santana Lima e José Camerino de Abreu, a feira foi finalmente
transferida para a Av. Rui Barbosa, ocupando mais o menos o espaço entre a
loja de Zé Dantas (hoje Real Calçados) e as imediações do açougue
municipal, onde permaneceu, em maior abrangência, até o dia 26 de setembro
de 2009.
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