Juliana Maria: Não podemos perder a sensibilidade diante do absurdo

A medicina tem um histórico de patolgias que são capazes de fazer com que percamos a sensibilidade em determinadas partes. Existem inumeros casos de pessoas que perderam a sensibilidade das mãos e do corpo, de não sentir o toque, ao ponto de sofrer queimaduras graves por não serem mais capazes de sentir altas ou baixas temperaturas. Isto é de fato algo terrivel. O tato é um sentido necessário à composição humana e até a dor é necessária. Quando perdemos essa capacidade, nos mutilamos sem preceber e o nosso corpo definha até morte. Mas há no ser humano uma sensibilidade tão importante quanto à física: a do coração.

Quando perdemos a sensibilidade do coração, é algo tenebroso, pois perdemos a capacidade de discernir entre certo e errado, deixamos de considerar a importãncia do calor humano, do afeto e do cuidado com o próximo. Se sem a sensibilidade física nosso corpo definha e morre, sem a sensibilidade do coração quem definha é a nossa alma. E como diz um sábio homem “alma sem corpo é fantasma e corpo sem alma é defunto”. E sem a sensibilidade do coração passamos a viver como defuntos ambulantes, incapazes de se solidadrizar com o outro, de sentir a dor do outro. É como se vivessemos como os zumbis de The Walking dead, vagando programados sem propósito algum, pois nada nos importa mais além de nós mesmos.

Temos razão e lógica, mas a nossa vida não é só isso, ela é também sensibilidade humana, emoção. O homem é um ser social, sem a vida em sociedade não seriamos capazes de desenvolver raciocinio lógico e não passaríamos de meros animais irracionais. Ou seja, sem a relação com o outro não podemos nos constituir humanos de fato e a sensibilidade é um dos elementos mais importantes desta cosntituição.

Vivemos numa sociedade que nos programa para a insesibilidade, somos individualistas. Consumimos demais e fazemos qualquer coisa para o nosso bem estar, ainda que isso possa causar danos ao outro, ou ao planeta em que vimemos. “Está tudo bem, desde que eu esteja satisfeito”. A competição predatória, a paranoia da estética e a paranoia do consumismo têm ferido o mundo das idéias, dificultando o processo de interiorização e a busca de um sentido mais nobre para a vida.

Temos mais de um milhão de casos confrimados de covid-19 no Brasil e puco mais de 50.000 mortes até agora. Em nossa cidade, o ultimo boletim atualizado, nos mostrou 21 casos confirmados e dois óbitos. Sem contar a situação crítica das cidades circunvizinhas. Mas está tudo bem, afinal não é nenhm de nós ou algum parente proximo. Infelizmente é assim que agimos, quando ao invés de nos cuidar e cuidar da nossa familia, lotamos as lojas, damos festas, almoços, churrascos, fogueiras, quando deixamos de usar mascaras, ou usamos de forma inadequada.

Fazemos isso porque infelizmente temos nos tornado cada vez mais insensiveis com a dor do outro e com a situação de violência e caos em que se encontra o nosso país. Precisamos de amor. Somente ele dá sentido à vida. Como diz Cury “O amor transforma miseráveis em homens felizes; a ausência do amor transforma ricos em miseráveis”.

Jesus nos chamou atenção para a perda da sensibilidade: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós” (Lucas 21, 34).

Mais a frente a palavra do Senhor chama de “cauterizada” (1 Timóteo 4:2) e “corrompida” (Tito 1:15) a consciência que perde sua sensibilidade. Uma consciencia insensível não é guia, e essa condição nos leva a agir de maneira irracional.

Que possamos refletir e retomar a nossa consciência de modo que não cheguemos a perder a sensibilidade diante do absurdo, que é a direção do essencial para a nossa vida, que sejamos humildes, solícitos e cuidadosos uns com os outros.

Deus nos abençoe!

#FiqueEmCasa

Juliana Maria é servidora pública, discente do curso de letras da Universidade do Estado da Bahia, nordestina de coração, alma e espírito, mãe solo, cristã protestante, Líder de Jovens da Primeira Igreja Batista em Euclides da Cunha e nas horas vagas “escrevinhadora.

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