|
Santana
é um tatuador que iniciou comercializando peças artesanais
confeccionadas em metal: brincos, argolas, pulseiras, etc., na Praça
Duque de Caxias, onde tinha clientela garantida, pela qualidade dos
produtos oferecidos.
Com muito trabalho e desejo de crescer em sua atividade comercial, não
tinha dia nem hora para montar sua banquinha. Para ampliar seu comércio,
sempre voltado para jovens, pessoas liberais que gostam de exibir partes
do corpo marcadas com figuras de ídolos, animais, símbolos, filho, e até
mesmo o nome da pessoa amada, Santana fez um curso de tatuagem e ralou
bastante para adquirir máquinas, agulhas, tintas e revistas especiais.
O bom trabalho do jovem tatuador cresceu na preferência de muita gente,
e sentiu a necessidade de se estabelecer em um ponto comercial, mesmo
que pequeno, onde poderia laborar com mais conforto e segurança.
Uma pequena loja foi aberta na Rua Benjamin Constant, uma das principais
vias do setor comercial da cidade, onde foram instalados a loja de
artesanato e um estúdio de tatuagem batizado como ‘Nativos Tattoo Stúdio’.
No
último dia 13 de julho, pela manhã, ao abrir a sua loja, Santana
percebeu que algo de errado havia acontecido, pois faltavam mercadorias
que haviam sido deixadas nas prateleiras e vitrine. Além de sinais de
arrombamento no teto do estabelecimento.
Aconselhado por amigos, procurou a delegacia de polícia e registrou uma
queixa e uma equipe de peritos técnicos do DPT foi deslocada para o
local, onde se confirmou o furto.
Um trabalho de investigações foi iniciado e nesta quarta-feira, 20, uma
informação anônima reforçou as suspeitas do detetive Rosivaldo Sá, sobre
a autoria do arrombamento.
Para despistar os elementos acusados, o detetive Rosivaldo Sá e o agente
investigador Alexandre Sales se deslocaram para o Bairro Nova América,
em uma viatura descaracterizada, e no Jardim Nova Esperança se depararam
com três elementos que fumavam e ao notarem a presença do veículo
dispersaram na tentativa de enganar, caso fosse uma viatura padronizada
da polícia.
Da viatura, os policiais perceberam que de dentro de uma casa, os
suspeitos, que haviam apagado as luzes, acompanhavam a movimentação dos
policiais, graças ao reflexo das luzes da iluminação pública.
Para despistar os elementos suspeitos, os agentes prosseguiram sem parar
o veículo e fingiram nada saber, retornando para o Complexo Policial
Civil, onde de posse do reforço da suspeita, elaboraram plano e
estratégia para prenderem o trio.
Na manhã desta quinta-feira, 21, os agentes voltaram ao bairro, armaram
uma campana e, à distância, com um binóculo, passaram acompanhar toda
movimentação na casa do suspeito. Por volta de 7 horas, com a chegada
dos dois elementos que estavam na noite anterior, a dupla de policiais
resolveu fazer a abordagem.
Alexandre
Sales desceu pela rua e Rosivaldo Sá entrou pelo lado oposto. Ao
reconhecerem o agente Alexandre, os elementos, que fumavam e se
divertiam, jogaram o cigarro fora e tentaram fugir, quando foram
impedidos pelo agente Rosivaldo, que lhes deu voz de prisão.
Na casa de Anderson, um dos elementos presos, autor confesso do furto,
foi feito uma busca no quintal, onde dentro de um galinheiro, foi
encontrada uma lata que escondia diversas pulseiras em metal branco e
amarelo, brincos, argolas, agulhas para tatuagem, entre outros.
Numa sacola de plástico azul foram encontradas mais mercadorias
furtadas: corrente de metal branco e amarelo, bonés, piercings, uma
fonte de energia elétrica, um pedal para tatuagem, biqueiras, três
máquinas de tatuar, máquinas para perfurar orelhas, tintas especiais,
diversas pulseiras, cartelas de brinco, um cinto preto, duas mochilas em
tecido, tubo com pulseiras artesanais.
Mercadorias e instrumentos de trabalho foram apreendidos e levados para
a Depol, onde foram apresentados ao bel. Barcos Aíra, delegado titular
de plantão.
Santana foi comunicado sobre a prisão dos ladrões e recuperação quase
total das mercadorias furtadas e imediatamente compareceu à delegacia de
polícia para o reconhecimento dos produtos furtados.
Sem
trabalhar a oito dias, o artesão e tatuador vibrou bastante e agradeceu
aos policiais pela seriedade e rapidez nas investigações e recuperação
dos produtos, principalmente, máquinas de tatuar, que chegam a custar
até 700 reais, cada.
Insatisfeito com o resultado preliminar, o detetive Rosivaldo Sá
insistiu na linha de investigação inteligente, e conseguiu recuperar
mais duas correntes de prata avaliadas em R$ 250 a unidade, das quatro
que haviam sido furtadas.
Num diálogo mantido com Alan dos Santos Costa, o “Alan”, 32 anos,
residente no Jardim Nova Esperança, também preso juntamente com
Anderson, Jefinho e Jobinho, Rosivaldo fez uma descoberta que
surpreendeu ao delegado Barcos Aíra e a todos que trabalham na Depol: ao
abrir uma gaveta na casa de Alan, o detetive descobriu uma munição
calibre 4.3, de uso exclusivo das Forças Armadas.
O poder de destruição desta munição é tão grande que pode derrubar uma
aeronave, como já aconteceu com um helicóptero da policia militar do Rio
de Janeiro, em ação contra traficantes de uma favela carioca.
Alan, ao ser perguntado pelo repórter José Dilson Pinheiro do site
euclidesdacunha.com, sobre como havia conseguido aquela munição,
respondeu com ar de gozação: “achei naquele assalto que houve aqui, no
Banco do Brasil. Já pensou, eu com uma arma dessas?” Disse enquanto
fazia pose exibindo a potentíssima munição.
Sem demonstrar arrependimento, do xadrez onde se encontrava, visualizava
dez gaiolas com passarinhos apreendidos na casa de Anderson, aves
consideradas em processo de extinção, entre elas: cardeal, pintassilgo,
coleirinha, azulão, papa-capim. Alan assoviava provocando as aves a
cantarem.
Mas, quem não se deu bem nessa história toda, foi José Rubens do
Nascimento Silva, maior, funcionário público municipal, residente no
bairro Nova América, onde os policiais civis encontraram boa parte dos
produtos furtados.
José
Rubens foi ouvido pelo delegado Barcos Aíra, que após instaurar
inquérito, decretou a prisão preventiva do acusado por receptação de
produtos furtados.
O delegado Barco Aíra demonstrou indignação, por ter que obedecer à lei,
que determina a liberação de pessoas que cometem delito, - como
aconteceu com Anderson e Jefinho, porém, por não terem sido presos em
flagrante, responde a um termo circunstanciado e são liberadas, ficando
à disposição da Justiça. “É a lei. Não posso descumpri-la”. Tenho que
prender e depois soltar, após dias e dias de investigações”, disse o
ótimo delegado.
Por volta de 20h00, Anderson deixou a Depol em companhia da genitora,
que demonstrava sinais de decepção e preocupação com o filho. À tarde, o
padastro, - um mototaxista que ganha à vida honestamente, disse ter
procurado aconselhar o enteado a deixar essa vida e ir trabalhar,
externava toda sua tristeza. “Já tentei ajudá-lo dando-lhe chance de
trabalhar como mototaxista; porém, não fui correspondido e, agora, estou
aqui, parado, aguardando minha companheira que está lá dentro,
acompanhando o filho” disse.
Foi mais um grande trabalho dos agentes policiais civis Rosivaldo Sá e
Alexandre Salles da 25ª Coorpin comandada pelos bels. Fábio Antônio e
Barcos Aira.
|