Luan Santana: A conquista ou o que se aprende na jornada?

Certa vez, um viajante passando por uma pequena cidade, decidiu se hospedar ali com o intuito de evitar uma chuva que estava por vir.

Ao chegar no hotel, ele pede ao dono do estabelecimento que lhe encaminhasse para algum quarto.

Ao andar pelo corredor, o viajante viu vários troféus e fotos espalhadas pelo ambiente. Perguntou:

– Quem conquistou todos esses troféus?
– Ah, em grande parte eu e outros, meus filhos.
– Vocês competiam por alguma coisa?
– Sim sim. Eu praticava artes marciais no ensino médio, depois passei para outros esportes como natação e provas de resistências. Agora estou aposentado.

E ali ele começou a relatar cada conquista.

Intrigado, o viajante questionou:
– E qual desses lhe rendeu mais dinheiro?
O hoteleiro apontou um no canto.

– Aquele ali. Competição nacional. Fui o melhor do país naquele ano.

– Ele é o que você mais tem orgulho?

O hoteleiro sorriu com satisfação:
– Em partes sim, foi muito complicado e me sacrifiquei demais, custou-me um alto preço.

Daí, ele foi no balcão, tirou uma caixinha de madeira envernizada e conservada.

– Sabe o dia que eu gostaria de viver novamente?

Tirou da caixinha uma camisa velha de uma banda de rock, dois ingressos para um show e um bilhete que dizia:
“Lembre-se de fazer a vida valer a pena”

– De quem era? – Perguntou o viajante

– Eu a conheci numa competição. Éramos jovens e eu estava muito obcecado em dar orgulho aos meus pais, mas não era feliz. Fomos para esse show de rock. Eu odeio rock – riu o hoteleiro – mas amei estar ali, longe de toda aquela pressão.

– E o que aconteceu?

– Nada! Curtimos o show, ela era de outro país. Nunca mais a vi. Quando olhei no meu bolso vi esse bilhete. Daquele dia em diante, eu larguei a competição. Vim pra cá, abri meu hotel e hoje sou feliz com essa vida longe dos holofotes.

– e seus pais?

– Depois de um tempo eles entenderam. Eu que não entendia. Queria ganhar prêmios pra provar meu valor, mas no caminho descobri que quanto mais ganhava, mais perdido ficava. Parei de me esforçar pelo que não me fazia feliz e agora estou aqui.

– Arrepende-se de alguma coisa?

– Poderia ter pegado o telefone dela pelo menos, né?

Os dois riram.

De que vale conquistar aquilo que no final se mostra vazio? Com o tempo a gente aprende pelo quê e por quem lutar e essa sabedoria vale mais do que qualquer troféu, pois nos direciona para um rumo onde possamos nos orgulhar de quem estamos nos tornando.

Até a próxima, pessoal

Psicólogo Luan Santana
CRP: 03/11290

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