Família e Isolamento: Redescobrindo o prazer de estar juntos – Juliana Maria

 

O caos provocado pela pandemia de covid-19 trouxe também para dentro de nossos lares um caos emocional. Temos vivido angustiados pelas incertezas do dia de amanhã, falta de respostas, pressão por produtividade, home office, tarefas escolares. Não obstante a isso soma-se o desemprego, a falta de renda familiar e o medo de não conseguir manter as nossas necessidades básicas. Toda essa situação nos coloca em alerta constante, nos deixa ansiosos, afeta o nosso sono, nosso sistema imunológico, nossa paz de espírito. Soma-se a essa carga de afazeres o ruído sempre presente do noticiário, agora cada vez mais perto da gente.

Temos perdido a paciência com nossos filhos. As pessoas estão em casa, isoladas socialmente e também isoladas dos familiares cada um em seu canto, sofre seu tanto, já dizia o provérbio popular.

Uma situação que poderia ser oportuna para estreitar os laços familiares tem os colocado a prova como nunca antes.

A pandemia nos mostrou que perdemos o prazer de estar juntos. Precisamos recuperar esse prazer. Precisamos nos lembrar da importância da família.

A família é a instituição de maior importância social, independentemente de sua configuração: tradicional, monoparental, homoparental. É na família que o homem se configura humano e racional. É nela que aprendemos a falar, caminhar, noções comportamentais, normas e condutas que serão importantes para nossa formação enquanto cidadão.

Uma criança que cresce numa família estruturada no amor, no respeito e no cuidado terá chances maiores de se tornar um adulto responsável, honesto e preparado para conviver bem em sociedade.

A família é a base da fé Cristã. Jesus ao vir a este mundo precisou de uma família. Nasceu do ventre de uma adolescente humilde que posteriormente se casou com um homem humilde que assumiu a paternidade do filho dela. Jesus é Deus. Ele poderia ter vindo ao mundo de qualquer maneira, mas escolheu vir no seio de uma família para nos mostrar que ninguém pode ser humano sem ela.

Como não esquecer disso tudo durante esse período?

Saiba que essa é uma situação passageira. Muito embora não saibamos com exatidão quando isso vai passar é fato que irá. O importante nesse momento é o que faremos durante esse tempo para não nos ferir nem ferir a quem amamos.

Diálogo é a palavra-chave. Procure conversar com seus familiares, fazer uma refeição juntos, assistir a um filme, jogar conversa fora mesmo, de forma leve e prazerosa. Terminar o almoço e ficar ainda na mesa papeando até terminar a jarra de suco, conversar com seu parceiro antes de dormir. Precisamos voltar a nos interessar pela vida das pessoas com que dividimos a casa, a mesa, a cama, a vida.

Respeite o tempo e a privacidade dos outros moradores. É importante que todos se unam para fazer coisas que gostem. Jogar, assistir televisão, ouvir música. Esses momentos de descontração fortalecem os laços e tornam o isolamento mais leve, no entanto se por alguma razão um ou outro membro não quiser/puder participar desse momento respeite seu tempo e lembre-se que nem todos reagem da mesma forma diante de uma situação como essa. Cada pessoa tem suas individualidades e particularidades que precisam ser conhecidas, consideradas e respeitadas.

O que fizer, faça por prazer. Não permita-se mecanizar. Quando emendamos uma atividade atrás da outra, entramos em um modo mecânico de ação e reação, e nos afastamos da conexão interna com os nossos sentimentos capaz de despertar o nosso potencial criativo e imaginário.

Lembre-se: você não precisa ser 100% ativo e produtivo nesse período e está tudo bem. Como já vimos é uma situação passageira, caso não se sinta à vontade pra realizar tarefas e conversar, está tudo bem também. Ficar tranquilo, na sua, descansando é um direito seu. De um tempo pra você.

Por último e não menos importante, convide Deus para habitar no meio da sua família. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” Apocalipse 3:10. Não importa sua crença ou a sua configuração familiar. Ele não se importa com isso. Ele se importa com o nosso coração.  Quando Cristo habita entre nós, os fardos se tornam mais leves, não sofremos mais sozinhos. Ele nos ajudará a redescobrir o prazer de estar juntos. Aproveitem esses momentos em família como se fossem os últimos. Se amem, se cuidem, se defendam, sejam pacientes e sobretudo tenham fé.

 

Juliana Maria, 25.05.20

 

Juliana Maria é servidora pública, discente do curso de letras da Universidade do Estado da Bahia, nordestina de coração, alma e espírito, mãe solo, cristã protestante, Líder de Jovens da Primeira Igreja Batista em Euclides da Cunha e nas horas vagas “escrevinhadora”

3 respostas para “Família e Isolamento: Redescobrindo o prazer de estar juntos – Juliana Maria”

  1. A Irmã Juliana tem total razão! O ritmo acelerado do mundo contemporâneo subtraiu a noção de Família e quase nos leva a uma falência absoluta neste sentido de afirmação. Agora, em consequência da pandemia, estamos permanecendo mais próximos e nos conhecendo melhor, sem perder a Esperança de refletir sobre as demais Famílias; porque do ponto de vista de Cristo a Humanidade é uma imensa Família. Portanto, nestes últimos dias tenho Orado pelas famílias pobres cujos filhos foram condicionados à vida do crime por força de pressões sociais e consumismo exacerbado, e têm sido executados nos ambientes das suas famílias, muitas vezes diante de mães, pais, irmãos e demais membros da prole. Muitos jovens têm sido mortos por dívidas de drogas. Como será o coração de uma mãe que assiste a um filho ser morto no seio da própria família? Como passa a reagir esse coração dilacerado pela dor? Creio oportuno pensar essa triste realidade! E se for possível pensar assim, estamos diante da possibilidade de construirmos a verdadeira FRATERNIDADE HUMANA. Quero esclarecer que este pensamento me vem das leituras bíblicas e das ORAÇÕES, portanto, não tem e não pode ter nenhuma conotação político-partidária, filosófica, ideológica e etc. É bíblica mesmo e, neste sentido, penso a população de Euclides da Cunha apta a construir FRATERNIDADE CRISTÃ, até pelas denominações religiosas e culturas ESPIRITUAIS preponderantes nesse município.

  2. Ler Juliana é sempre um prazer… afinal de contas “…O que fizer, faça por prazer…”, é geralmente a mola que nos impulsiona (sem ser hedonista ao extremo, claro).
    Esperando a próxima.
    David.

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